quarta-feira, 19 de março de 2008

E começou!

Debates com cara de conversa [mas conversa séria], com hospitalidade mineira, cafézinho na mesa, sotaques de todo o Brasil e, sobretudo, boas ondas. Foi essa a cara do Ciclo de Debates "A Onda Independente", que integra a programação do 8o. Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe. Os 4 debates ocorreram na ONG Contato, na segunda e na terça-feira dessa semana.

De acordo com Claudão Pilha, produtor do Festival, a importância dos debates nos Festivais de Música Independente é coletivizar as questões que são comuns aos vários Festivais - "com essa troca de experiências o nosso movimento se fortalece, de forma coletiva".

Ondas e debates:
Foram dois debates em cada um dos dias. Na segunda, Talles Lopes, do Festival Jambolada, Thiago Pereira, do Festival Garimpo/Auto Falante, discutiram o "Cenário dos Festivais Independentes de Minas Gerais", contando um pouco trajetória dos dois eventos, aliada à experiência do Programa da Rede Minas. Quando a palavra foi aberta ao público, a discussão girou em torno dos estilos de música independente e da importância de se promover festivais que extrapolem o rock´n roll e promovam a diversidade musical.

No segundo round, a discussão foi sobre as "Estratégias de Comunicação no Universo Independente". Kiko Ferreira, Diretor Artístico da Rádio Inconfidência; Leo Proza, Diretor Artístico da OI FM e Mariana Peixoto, jornalista do EM Cultura participaram da mesa, mediada por Elias Santos, da Rádio UFMG Educativa. Os debatedores alertaram pela via de mão dupla, que é essa relação de músicos independentes com a mídia: os jornalistas tem que dar lugar a eles, mas eles também devem se organizar e "fazer serem vistos", com produção de material de divulgação que possa chegar até a mídia.

A discussão esquentou quando o público, formado em sua maioria por músicos, começou a falar. Eles reinvindicaram a dificuldade que é ter sua música veiculada em uma rádio, e que esses meios deveriam abrir mais espaço para a música independente. Debates produtivos, tempo estendido. O primeiro dia da Oitava edição do Campeonato Mineiro de Surfe terminou uma hora depois do previsto, com a promessa de que o próximo dia também haveriam discussões quentes!

O primeiro debate da terça-feira traçou um panorama da Economia da Cultura. Rafael Bandeira, do Hey Ho Rock Bar/Casas Assossiadas/ABRAFIN; Luiz Matias, do Festival Demosul/ABRAFIN e Talles Lopes, do Jambolada/Circuito Fora do Eixo/ABRAFIN discutiram a Cadeia Produtiva da Música Independente. Os debates rolaram em torno das experiências de Festivais de Música Independente que acontecem no Ceará e no Paraná - os produtores expuseram suas dificuldades e conquistas, além de falaram da importância do trabalho coletivo para o fortalecimento da cena local. Talles, que já havia contado um pouco da experiência do Jambolada [em Uberlândia], na segunda, falou um pouco da cadeia produtiva do mercado independente e de como os festivais são importantes pela união dos diferentes elos que formam essa cadeia.

O segundo debate da segunda noite discutiu o Financiamento Público para Música Independente, com Bernardo Mata Machado, Diretor Interino de Ação Cultural da Fundação Municipal de Cultura e Nestor Santana, Assessor Especial da Secretaria Estadual da Cultura para a Música. Os debatedores falaram sobre como o poder público vem se organizando e se relacionando com a Música Independente. Os músicos presentes, no momento de discussão, cobraram, tanto da Fundação Municipal quanto da Secretaria Estadual, uma maior atenção e políticas públicas específicas voltadas para a Música Independente.

No final desse tanto de conversa, de debates, de discussões e de reflexões, a certeza é uma, e que pode ser refletida em uma frase do Talles, do Jambolada - "Nós precisamos deixar de lado os ransos e as ilusões e ir a luta".

E simbora prá festa hoje?
A partir das 22h, na Obra Bar Dançante, tem Monster Surf [MG], Reverb All Stars [MG] e Fóssil [CE], além dos DJs Guinorante e Claudão Pilha.